Wind River Range
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Em 1985, eu e o Pauletto, companheiro na expedição na Cordilheira Branca 3 anos antes, morávamos em São Francisco, na California. Naquele verão fomos de carro até o Wyoming, centro-oeste americano, para escalar na desconhecida Wind River Range. A Wind é um lugar pouquíssimo visitado e considerado o lugar mais selvagem dos EUA, fora do Alaska. Só para se ter uma idéia, durante as duas semanas que ficamos enfiados nas montanhas não encontramos uma só pessoa. Isso em plenas férias nos EUA.

Visitamos os 2 lugares mais famosos daquela cadeia de montanhas. Começamos pelo Circle of Tower, um círculo de penhasco e torres de rocha, com um belíssimo lago no meio. Ali escalamos o Pingora e o Wolf's Head, escaladas em rocha com proteção móvel. Nessa última escalada o calor estava escaldante, não achávamos a via, nos atrasamos e a água acabou. Para nossa sorte pudemos enganar a sede mastigando alguns punhados de neve remanescentes do inverno.
A descida do cume foi feita às pressas mas a noite nos alcançou no início da descida do col nevado. Impossibilitados de continuar descendo aquela imensa encosta gelada durante a noite, tivemos que improvisar um bivaque. Estávamos somente com a roupa do corpo e uma folha de alumínio, que não serviu para nada quando a temperatura desceu abaixo de zero. Para que não despencássemos lá para baixo, passamos a noite com as costas apoiadas em algumas rochas. Só retornamos para o acampamento na manhã seguinte.

Dali fomos para a região do pico Fremont, uma das montanhas mais bonitas daquela cordilheira. Foram 2 dias de caminhada até sua a base. Às costas levávamos pesadíssimas mochilas contendo equipamentos para escalar rocha (cordas, mosquetões, nuts, friends) e gelo (botas-duplas, crampons, grampos de gelo). Mas nosso objetivo ali não era o Fremont: queríamos escalar o Gannett Peak, com 4.208 metros, o mais alto daquela região.

No dia da escalada saímos das barraca às 7h00. Escalamos primeiro o col que estava à nossa frente. Depois descemos do outro lado, até a geleira do Gannett. Já no gelo fizemos um árdua travessia e entramos numa via mista - rocha e gelo - que nos levou à rampa nevada do cume. Chegamos no tôpo às 15h00. Até então foram 8 horas ininterruptas de esforço, sem paradas para descansar, comer ou beber. Ficamos apenas meia hora no tôpo. Foi o tempo suficiente para aproveitarmos o inesquecível visual das montanhas e lagos que rodeavam nossos pés. Dali refizemos todo o trajeto de volta e, novamente sem direito a parar para descansar, chegamos no acampamento perto das 22h00, totalmente exaustos. Não me lembro de ter ficado tão cansado em toda a minha vida.

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