Aconcágua
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Em janeiro de 1984 fui convidado por 3 amigos do Clube Alpino Paulista (CAP) - Yanez Hlebanja Jr., Alexandre Ventre e Fábio Cascino - para ir ao Aconcágua (6.959 m), na Argentina, a montanha mais alta das Américas. Patrocinados pela Alpargatas/Comander, fomos uma das primeiras expedições brasileiras a obter apoio da iniciativa privada.

A viagem até Mendoza foi feita de ônibus, em pleno período de Natal. Chegamos no campo-base no Reveillon, sob uma temperatura "polar", depois de 3 dias de caminhada. Durante o trajeto o Fabio quebrou o pé na primeira travessia de rio (naquela época não haviam as pontes que existem hoje) e teve que desistir da escalada.

Fizemos a subida pela via "normal". Foram 3 dias até o primeiro transporte ao Campo 1 (5180 m), e mais dois até pernoitarmos lá. Após um dia "off", fizemos um transporte até o Campo Berlim (5780 m), para onde nos mudamos no dia seguinte. Descansamos mais um dia e subimos para pernoitar no Refúgio Independência (6400 m). Às 9h40 do dia 11 de janeiro saímos para o ataque ao cume, onde chegamos às 14h00. No total foram 11 dias de subida.

As condições climáticas nesse período foram predominantemente boas e não enfrentamos grandes dificuldades, exceto no último dia, quando enfrentamos uma forte ventania.

Nas últimas etapas da escalada praticamente resgatamos 2 argentinos que, despreparados e mal equipados, quase morreram na volta do cume. Um deles voltou para Mendoza com os pés congelados.

O pitoresco nessa escalada ficou por conta da minha indumentária: botas-duplas de couro, meias, luvas e gorros de lã comprados na Praça da Sé, calça comum tipo "jogging".... Isso sem falar no "minhocão" de lã. Goretex, capilene, botas de plástico e outras sofisticações eram coisas de outro planeta. Mesmo assim, não é que deu para chegar no cume?!? É interessante como hoje em dia alguns alpinistas nem tentam subir a montanha por não disporem de equipamentos "adequados".

1991

Depois da subida no distante 1984, voltei ao Aconcágua mais duas vezes. 

A primeira, no final de fevereiro de 1991, como etapa de treinamento para ir ao Everest no segundo semestre. Agora com muito mais experiência e preparo físico, e melhor equipado, o objetivo explícito era pernoitar no cume, subindo pela via “normal”.

Fui com o Ramis Tetu e o médico Eduardo Vinhaes, ambos integrantes da equipe do Everest.

A aclimatação foi mais elaborada, incluindo ascensões pelas rochas podres de picos nas redondezas do campo base – Plaza de Mulas.

Durante vários dias tivemos um clima “padrão”. O céu amanhecia azul e ensolarado. Por volta do meio dia, o tempo fechava. Entrava uma forte neblina, com ligeira queda de neve e ventos moderados. O que não nos impedia de subir e fazer nossos transportes de carga montanha acima. Por volta das 19h00 o sol voltava a brilhar, e nos brindava com um belo pôr do sol às 21h00. Depois, uma noite repleta de estrelas.

Era nítido que o Edu (que não era alpinista) estava numa condição física muito abaixo da minha e do Ramis, e acabou desistindo quando chegamos pela primeira vez no campo Berlim.

Nesse dia, calçando botas leves de caminhada, a descida para Nido de Condores foi feita totalmente em cima de neve.

Subimos ao topo no 13º. dia desde que chegamos em Plaza de Mulas. Saímos de Berlim com pesadas mochilas cargueiras. Sete horas depois de esforços, às 21h00 estávamos montando nossa barraca VE-24 no gelo duro do final da geleira Polacos, poucos metros abaixo do cume. A noite foi estrelada e a temperatura desceu a 23 graus negativos. Na manhã seguinte começamos nossa descida de volta ao campo base.

1997

Voltei à montanha em dezembro de 1997, novamente pela via “normal”, desta vez como guia de 2 rapazes que me contrataram para tentar levá-los ao topo das Américas. Ambos na faixa dos 30 anos, Dado era maratonista, e Roberto era “Ironman”.

Mas o Dado passou mal em Berlim, e me pediu para descer com ele de volta ao campo base.

Roberto, sem muita experiência, preferiu ficar sozinho em Nido. Tentou subir ao cume na manhã seguinte se integrando a outra equipe, e conseguiu chegou a 60 metros do cume.

Na manhã seguinte, quando retornei a Nido, tentei convencê-lo a fazer mais uma tentativa mas ele não quis. Chegamos de volta a Mendoza no dia 31, para as festas de Reveillon.

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