Cordilheira Branca
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Em junho-julho de 1982 participei de minha primeira expedição à alta montanha. Junto com dois amigos - José Luis Pauletto e Sergio Krauzs - fui à Cordilheira Branca, nos Andes peruanos. Essa cadeia de montanhas nevadas, muitas com mais de 6.000 metros de altitude, é considerada um das regiões mais bonitas do mundo e, curiosamente, até hoje praticamente desconhecida dos brasileiros.

Nosso objetivo era ambicioso: escalar 3 picos nevados, entre eles o Monte Huascarán - 6768 metros de altitude - o mais alto do Peru.

Para nos aclimatar à altitude fizemos o belíssimo trekking LLanganuco-Santa Cruz, um circuito em ferradura por entre as montanhas. Dali fomos para o Monte Pisco (5752 m) - minha primeira escalada em gelo. Apesar do tempo encoberto subimos a montanha em 2 dias, com direito a um acampamento no gelo.

A escalada em si não foi difícil mas foi bem emocionante para um iniciante. Desci do cume radiante com a experiência mas adoecido. Cheguei na base do pico com febre alta, provocada por uma infecção, o que me forçou a retornar à cidade de Huaraz. Enquanto isso meus amigos foram direto para o imponente Chopicalqui (6.354 m), onde também tiveram sucesso. Alguns dias depois, recuperado, eu e Pauletto partimos rumo ao Huascarán.

Durante a árdua subida no Huascarán percebi os perigos das grandes montanhas pela primeira vez.


Nosso campo 1, já na geleira, quase foi soterrado por uma série de avalanches. Na manhã seguinte, logo ao sair da barraca enfiei a perna inteira numa fenda escondida na superfície do gelo. Horas depois, durante a escalada, caí dentro de uma greta (fenda profunda na superfície da geleira) e fiquei pendurado pela corda. Mal saí da greta e dali a pouco um bloco de gelo se desprendeu e só não me esmagou porque consegui pular para trás a tempo. Enfim, escapei por pouco.

Pauletto e eu passamos três dias e três noites no campo 2. Estávamos encarapitados a 6.000 metros de altitude, entre o cume norte (6655m) e o pico sul, mais alto. Nesse tempo fizemos dois ataques ao cume. Devido à constante nevasca e forte neblina não tivemos sucesso em nenhum. O máximo que chegamos foi aos 6400 metros de altitude. Depois, cansados e sem mantimentos fomos obrigados a descer, dando a expedição por encerrada.

Embora não tenhamos alcançado todos os objetivos, o encanto e a magia daquelas montanhas me enfeitiçou. Mal sabia eu, então, que a partir dali o alpinismo e a aventura entrariam definitivamente na minha vida. A ponto de se tornar não só uma paixão, mas, anos depois, numa profissão.

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